WeBlog |

Mês passado fizemos um post sobre a participação do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV) nas oficinas para grupos indígenas na Amazônia. O projeto, parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), consiste em oficinas para grupos indígenas sobre temas relacionados a expressões culturais tradicionais e tecnologia, no Alto Rio Negro. A matéria que se segue foi originalmente publicada no site do projeto, onde, aliás, é possível acompanhar as demais oficinas e ler comentários de participantes das comunidades indígenas.
Itacoatiara-Mirim é uma comunidade localizada na zona comunitária indígena do município de São Gabriel da Cachoeira (AM). Lá, atualmente, vivem 22 famílias indígenas, predominantemente da etnia baniwa, mas que convivem também com índios tukano, wanano, cubeu, tuyuca, barassana e siriano.
Chegamos em São Gabriel da Cachoeira no dia 1º de agosto, sexta-feira, a tempo de nos ambientarmos com o lugar e as pessoas para iniciar a primeira oficina no município no dia 4 de agosto. Parte do grupo aproveitou para conhecer a comunidade de Itacoatiara Mirim no sábado e qual não foi a surpresa de sermos recebidos com um emocionante dabucuri (troca de presentes com dança e música).
No domingo aproveitamos para conhecer a equipe do Rio Negro, repassar programação da oficina. Na segunda-feira, logo cedo seguimos para Itacoatiara Mirim, distante apenas 22 km da sede do município de São Gabriel da Cachoeira.
O principal objetivo da oficina era o de promover uma discussão sobre como as novas tecnologias podem beneficiar ou prejudicar, os povos indígenas, tendo em vista as regras internas da comunidade e a legislação de direito autoral.
Participaram desta oficina cerca de 20 pessoas. Da comunidade indígena, estiveram presentes Moisés, Capitão Luiz Laureano, Paulo Faria, Custódio; Juvêncio (Dzozo) Lourenço Rodrigues, Cleonice, Feliciano da Silva, Sr. Francisco Manarino; Lucas Cardoso, Rai, Margarida, Nazária, Mário e Joaquim da Silva.
Do ISA, Fernando Mathias e Carolina Pinheiro, do Programa de Política e Direito(PPDS); Adeilson Lopes, Andreza Andrade e Lucia Alberta – do Programa Regional Rio Negro (RN) integraram o grupo. Como consultores, participaram Eduardo Viveiros de Castro, do Museu Nacional do Índio e Pedro Paranaguá, do Centro Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas – CTS/FGV-Rio.
1º dia – 04/08/2008 - Apresentação dos participantes Todos se apresentaram, dizendo seus nomes, de onde vinham e a importância de sua participação na oficina. Já nas falas iniciais ficou clara a preocupação da comunidade com a perda de sua cultura. Todos se mostraram muito interessados na oficina e felizes de poderem estar reunidos neste período.
O capitão Luis se apresentou como Baniwa “puro mesmo” e deixou claro que sua intenção é contribuir para que todos os Baniwa também se “purifiquem”. Em suas palavras, carro com gasolina impura, não anda; a cultura Baniwa também não cresce se só ficarem aprendendo português. É preciso ser gasolina pura mesmo”.
Outra fala de destaque foi a de André Baniwa que alertou para o crescente contato dos povos indígenas com pesquisadores, sendo necessário naquela oficina, aprender um pouco sobre seus direitos para bem negociar com eles.
Poder da internet comparado ao poder dos pajés. Após a rodada de apresentações, Fernando explicou que o projeto Conhecimentos Tradicionais visava promover uma discussão sobre como as novas tecnologias podem beneficiar ou prejudicar os povos indígenas, que, cada vez mais, se utilizam de recursos audiovisuais para registrar e fazer circular sua cultura. Repassamos a programação e, a cada fala, os mais jovens se revezavam na tradução para a língua Baniwa.
Em uma das traduções Adeilson – que já conhece a comunidade há mais tempo – “pescou” a palavra Malikai na fala deles e perguntou qual a relação da programação da oficina com essa palavra.
Os jovens explicaram que, quando foram traduzir a programação do segundo dia, dedicada à discussão sobre novas tecnologias, como a Internet, ilustraram o debate na língua Baniwa de uma forma que os velhos entendessem. Explicaram que os pajés quando curam um doente, vão atrás de almas que podem estar muito longe. No mundo dos pajés há várias camadas pelas quais os pajés podem “viajar”. Quanto mais forte é o pajé mais camadas ele pode alcançar.
Nesse contexto, o poder de viajar para lugares distantes e alcançar elementos curativos de forma rápida foi comparado à tecnologia da Internet, que coloca em contato pessoas que estão muito longe uma das outras, em muito pouco tempo. Moisés finalizou: A Internet é como o mundo dos pajés, deixa o mundo bem pequeno.
por Koichi Kameda |
Realização |
Apoio |
Licença |
![]() |
![]() Este website e todo seu conteúdo está licenciado sob a seguinte Licença Creative Commons
|
|
|
Praia de Botafogo, 190, 13° andar, CEP 22250-900 Rio de Janeiro - RJ - Brasil tel. +55 21 2559-6065 fax +55 21 2559-5459
|
||
|
Este site é desenvolvido no software livre SPIP, sob uma licença GNU/GPL
desenvolvido por: elemento d/a |
||